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05/02/2020

Puxada por demanda chinesa, Aurora lucrou R$ 545 milhões

Favorecida pela maior demanda chinesa, a central de cooperativas catarinense Aurora Alimentos, terceira maior agroindústria produtora de frangos e suínos do país, reportou uma melhora significativa nos resultados de 2019.

Com oito abatedouros habilitados a exportar à China - cinco de aves e três de suínos -, a cooperativa informou na manhã de ontem que teve sobras (equivalente ao lucro) de R$ 545 milhões no ano passado. Trata-se de um desempenho bem melhor que o registrado no ano anterior, quando a cooperativa amargou perda de R$ 153 milhões.

Em entrevista ao Valor, o vice-presidente da Aurora, Neivor Canton, afirmou que a forte demanda externa, sobretudo da China, reverteu o quadro de sobreoferta no mercado doméstico, desequilíbrio que prejudicou a cooperativa nos anos anteriores. “A oferta interna estava sempre na frente da demanda”, lembrou o dirigente. Em 2019, no entanto, a cooperativa conseguiu fazer um reajuste de preços “moderado” no mercado interno e também foi ajudada pelo câmbio mais competitivo nas exportações.

Nesse cenário, a receita da Aurora com exportações cresceu 46,7% no ano passado, atingindo R$ 3,27 bilhões. Desse total, pouco mais de 60% veio dos embarques de carne de frango (R$ 2,04 bilhões) e o restante de carne suína. Em volume, a Aurora exportou 387,1 mil toneladas de proteínas, aumento de 16%.

Considerando também o mercado interno, o faturamento da Aurora alcançou R$ 10,9 bilhões no ano passado, crescimento 20%. Apenas no Brasil, as vendas da cooperativa renderam R$ 7,9 bilhões, avanço de 12%. No mercado interno, a cooperativa catarinense é forte em produtos processados (sobretudo a partir de suínos), como linguiças. A marca Aurora só fica atrás de Perdigão e Sadia, da BRF, e Seara, da JBS.

Para 2020, a expectativa da cooperativa é positiva. De acordo com o vice-presidente da Aurora, os sinais apontam para a continuidade da forte demanda externa. Em janeiro, as exportações brasileiras de carne de frango in natura aumentaram 19,4% em receita e 15,5% em volume na comparação com igual período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No caso da carne suína, as exportações cresceram 81% em receita e 41,5% em volume.

Embora esteja otimista, Canton não negou que o ano teve início com algumas “interrogações” - especialmente da China, grande responsável pelo bom desempenho da cooperativa catarinense.

De acordo com o dirigente, clientes chineses da Aurora estão apreensivos com o impacto do coronavírus sobre a distribuição de carnes no país asiático. Por ora, o fluxo comercial não foi afetado, mas os chineses já abordaram a questão com a Aurora, o que pode significar o retardamento dos embarques.

A dúvida é como ficará o trânsito de alimentos, dado que algumas províncias da China prolongaram as férias após o feriado de Ano Novo e mantêm restrições de viagens.

“Há uma apreensão da parte do cliente chinês. Eles estão na expectativa de que o quadro do coronavírus não se agrave para não impedir a distribuição física”, disse Canton.

No país asiático, já há relatos de dificuldades de abastecimento de ração para a avicultura local.

Fonte: Valor Econômico